Arte na passarela II
Há projetos culturais que acontecem em uma noite — e há aqueles que continuam acontecendo depois, que despertam nas pessoas, que movimentam a cidade e que deixam uma lembrança coletiva. Arte na Passarela II foi pensado exatamente assim: como uma celebração pública da criatividade paracatuense, reunindo arte, moda e artesanato no mesmo gesto, com beleza e pertencimento, mas também com propósito — gerar visibilidade, circulação e reconhecimento para quem produz cultura em Paracatu.
A noite do evento
A segunda edição aconteceu em 12 de setembro de 2025, às 20h, no Largo da Jaqueira. A praça virou cenário e passarela: estrutura completa de palco, passarela, iluminação cênica, som e telão, além de show musical de encerramento, para que a experiência fosse, ao mesmo tempo, acessível, bem-produzida e acolhedora para o público.
Por que este projeto existe
Arte na Passarela II nasce de uma ideia simples e poderosa: arte e artesanato são expressão e também trabalho. Quando a cidade reconhece o valor do que é criado aqui, ela fortalece sua identidade, amplia oportunidades e faz a economia criativa girar com mais justiça — sem hierarquias entre “arte” e “artesanato”, porque ambos são cultura viva.
Realização e parcerias
O projeto foi realizado pela Associação dos Amigos da Cultura de Paracatu, com apoio da Prefeitura Municipal e da Secretaria Municipal de Cultura — uma soma de esforços que foi decisiva para garantir a estrutura, a organização e o alcance do evento.
O que aconteceu antes do público chegar
O resultado que o público viu naquela noite é a parte mais visível de um processo que começou bem antes. A execução mobilizou uma rede real de pessoas e competências, com incentivo direto a 22 artistas, além de profissionais de cabelo e maquiagem, costureira, artistas para a abertura performática, músico e empresa para estrutura (palco, passarela, iluminação, som, cadeiras e telão), além do fornecimento de materiais para viabilizar as criações.
As criações e as referências de Paracatu
As peças apresentadas foram construídas com técnicas e linguagens diversas — pintura, bordado, crochê e macramê — e carregaram referências do patrimônio cultural, histórico e natural de Paracatu. O desfile não foi apenas “mostrar roupa”: foi dar forma, cor e textura a histórias, paisagens e símbolos que fazem parte do imaginário local.
Abertura, passarela e reconhecimento dos artistas
A abertura performática ajudou a definir o tom do encontro: foram 6 performances, com referência aos quatro elementos e uma cena simbólica de Adão e Eva, criando um início que já colocava o público dentro de um clima de arte e narrativa. Em seguida, o desfile foi conduzido em etapas e, a cada entrada, a passarela também acolheu quem muitas vezes fica “fora de cena”: os próprios criadores. Fizemos questão de que os artistas fossem chamados e reconhecidos pelo público, reforçando que ali a autoria tem rosto, nome e trajetória.
Modelos voluntários e encerramento musical
Outro ponto bonito — e muito coerente com a proposta do projeto — foi a participação de 20 modelos voluntários, que desfilaram as peças e dividiram o protagonismo com os artistas, ajudando a transformar o evento em uma ação coletiva, comunitária e generosa. E, ao final, o encerramento com show de Enos e banda consolidou o sentido de celebração: arte, cidade e música no mesmo espaço público.
Público e alcance
O alcance confirmou o que a gente já sentia nas conversas e na expectativa que se criava: o público quer cultura local. O Arte na Passarela II reuniu mais de 300 pessoas, entre comunidade, artistas e representantes institucionais, mostrando que existe interesse, reconhecimento e espaço para iniciativas que valorizam os criadores da própria cidade.
Investimento
Na dimensão financeira, o projeto foi viabilizado com um incentivo de R$ 40.000,00. Mais importante do que os números em si é a lógica do investimento: uma parte significativa dos recursos foi direcionada para valorizar diretamente o trabalho artístico, no fornecimento de materiais para as criações e outra para garantir estrutura técnica adequada, porque dignidade cultural também se faz com condições reais de apresentação.O legado
E quando a noite termina, é aí que o legado começa a ficar mais nítido. Arte na Passarela II deixa como herança o fortalecimento da economia criativa, a ampliação de redes entre artistas e público, e uma mensagem clara: Paracatu tem talento e tem identidade — e isso merece palco.
Esse projeto também se conecta com a história da própria Associação: em 2003, o Arte na Passarela I destinou sua renda a ações emergenciais de salvaguarda da Igrejinha de São Sebastião do Pouso Alegre. Retomar essa força agora, em nova edição, reafirma um compromisso contínuo: fazer cultura com impacto, mobilização e sentido público.
Em síntese, o Arte na Passarela II mostrou que, quando a cidade cria espaço para seus talentos, ela ganha mais do que um evento: ganha autoestima coletiva, circulação cultural e futuro — com o rosto, a mão e a assinatura de Paracatu.
Na mídia
A repercussão do Arte na Passarela II também chegou à imprensa local, ajudando a ampliar o alcance do projeto e a registrar, em diferentes momentos, a força da criação paracatuense — tanto na expectativa para o evento quanto na celebração da noite no Largo da Jaqueira. Para quem quiser acompanhar, reunimos abaixo duas matérias do Jornal O Lábaro:
Jornal O Lábaro (09/09/2025) — “Arte na Passarela celebra talento paracatuense em sua segunda edição”
Jornal O Lábaro (13/09/2025) — “Arte na Passarela II: Paracatu celebra sua identidade no Largo da Jaqueira”